Mais uma vez a ficção foi usada pra mostrar a essência da realidade
(gosto mais de ler obras de ficção exatamente por isso). O lançamento da
agência fictícia Komodo causou tanto impacto porque escancarou o que era
murmurado nas entrelinhas conservadoras, e foi levado a sério porque vinha
recheado de verdades ocultas. Rarrá!, muita gente riu depois, mas no fundo
ficou com raiva, porque acreditava exatamente naquilo que a campanha revelou
estar ridicularizando. Há mais dragões circulando pelo mercado do que imagina
nossa vã filosofia. Ponto pra DM9DDB, ponto pro IAB.
Não sou fã incondicional das pegadinhas publicitárias. Acho que devem ser
usadas com moderação, sob pena de desqualificarem tudo, desde os classificados
de “melhor emprego do mundo” até as jovens que vendem sua virgindade na
internet, mas a pertinência dessa campanha a coloca a salvo de questionamentos.
Fez lembrar do lançamento que fizemos na Giovanni de uma cerveja bizarra:
“Solid – a cerveja que você come”, criação de Fernando Campos e Carlos André
Eyer, com direção de Cristina Amorim e alguns pitacos meus. Era só uma
brincadeira pra demonstrar a multiplicidade de formatos viabilizáveis pelo
jornal O Globo, um balaio de formatos diferenciados ilustrando o que seria
possível fazer com um produto evidentemente absurdo. O curioso é que os
estressados habitantes do segmento cervejeiro entraram em pânico e ligaram para
o jornal ofegantes, tentando descobrir que concorrente estava fazendo aqueles
teasers. Eles acreditaram que uma cerveja sólida estaria chegando ao mercado,
assim como tantos acreditaram que uma agência com o perfil da Komodo teria como
existir e subsistir.
Provoca reflexão. Mostra que nos dias de hoje tudo é possível, até mesmo se
propor a negar as evidências que o mundo online esfrega em nossas caras
diariamente. Mostra que, em tempos de novela na Capadócia (coincidência
irresistível neste finzinho de texto), o dragão ainda respira e sonha em
desafiar a galera para duelos fora de época.
FONTE: Meio e Mensagem
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Cineminha brasileiro: luz, câmera e conversa
Contabilizada a venda de ingressos, pipoca e publicidade o negócio de
cinema no Brasil deverá fechar o ano de 2012 com faturamento não superior a 1,8
bilhão de reais. Ou seja, o cinema é um negócio pequeno nesses trópicos.
De cinco a oito de novembro em Miami acontecerá a Show East, evento internacional que reúne a indústria do cinema (produtores, distribuidores, exibidores e fornecedores) para apresentação dos lançamentos do próximo semestre e, como ocorre nessas ocasiões, muitos brasileiros se deslocam até os Estados Unidos para se familiarizarem com as novidades, conhecerem os avanços da exibição, trocar impressões sobre o ano que finda e expectativas sobre o que está prestes a iniciar.
Conversam muito os executivos do cinema nacional. Contam e ouvem histórias recorrentes sobre o mercado brasileiro e simulam uma relevância que, definitivamente, a atividade não possuí.
Faltam 2,5 mil salas de cinema no Brasil, mas os exibidores continuam aguardando o lançamento de shoppings centers para participarem dos leilões promovidos pelos empreendedores e não vislumbram formatos alternativos.
Faltam recursos para digitalização das salas brasileiras, mas os exibidores continuam a espera da definição de um modelo de negócio aos moldes do implantado nos Estados Unidos e Europa em que as distribuidoras pagam parte dessa conta mesmo que, para o mercado brasileiro, essas empresas nunca tenham manifestado o menor desejo de fazê-lo.
Faltam financiamentos públicos para o processo de modernização da planta de exibição nacional, mas os donos de salas de cinema não conseguem estabelecer uma política de consenso entre eles o que desestimula qualquer sinalização de oferta dos recursos federais.
Faltam interlocutores confiáveis e lideranças consistentes. Portanto sobra conversa o que, definitivamente, não colabora para a consolidação do negócio.
Em Miami, durante os quatro dias, falsos profetas, figurinhas carimbadas com folha corrida de causar vergonha, promoverão debates e, com a assertividade dos delinquentes, pregarão o caos da exibição caso não se siga, faça e, principalmente, pague o que dizem. A falação irá continuar sem nenhuma definição objetiva dos necessários caminhos alternativos para a implantação de um modelo de negócio mais autônomo para as salas de projeção do país.
FONTE: Meio e Mensagem
De cinco a oito de novembro em Miami acontecerá a Show East, evento internacional que reúne a indústria do cinema (produtores, distribuidores, exibidores e fornecedores) para apresentação dos lançamentos do próximo semestre e, como ocorre nessas ocasiões, muitos brasileiros se deslocam até os Estados Unidos para se familiarizarem com as novidades, conhecerem os avanços da exibição, trocar impressões sobre o ano que finda e expectativas sobre o que está prestes a iniciar.
Conversam muito os executivos do cinema nacional. Contam e ouvem histórias recorrentes sobre o mercado brasileiro e simulam uma relevância que, definitivamente, a atividade não possuí.
Faltam 2,5 mil salas de cinema no Brasil, mas os exibidores continuam aguardando o lançamento de shoppings centers para participarem dos leilões promovidos pelos empreendedores e não vislumbram formatos alternativos.
Faltam recursos para digitalização das salas brasileiras, mas os exibidores continuam a espera da definição de um modelo de negócio aos moldes do implantado nos Estados Unidos e Europa em que as distribuidoras pagam parte dessa conta mesmo que, para o mercado brasileiro, essas empresas nunca tenham manifestado o menor desejo de fazê-lo.
Faltam financiamentos públicos para o processo de modernização da planta de exibição nacional, mas os donos de salas de cinema não conseguem estabelecer uma política de consenso entre eles o que desestimula qualquer sinalização de oferta dos recursos federais.
Faltam interlocutores confiáveis e lideranças consistentes. Portanto sobra conversa o que, definitivamente, não colabora para a consolidação do negócio.
Em Miami, durante os quatro dias, falsos profetas, figurinhas carimbadas com folha corrida de causar vergonha, promoverão debates e, com a assertividade dos delinquentes, pregarão o caos da exibição caso não se siga, faça e, principalmente, pague o que dizem. A falação irá continuar sem nenhuma definição objetiva dos necessários caminhos alternativos para a implantação de um modelo de negócio mais autônomo para as salas de projeção do país.
FONTE: Meio e Mensagem
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