Entidade nunca se posiciona contra as importações pura e simplesmente, mas sim contra importações que não trazem contribuição na área tecnológica
Enquanto o faturamento nominal da indústria de máquinas e equipamentos registra crescimento de 15,9% no período de janeiro a maio desse ano em relação a igual período do ano anterior, o déficit da balança comercial do setor, de acordo com Luiz Aubert Neto, presidente da ABIMAQ continua preocupante.
"Enquanto as exportações passaram de US$ 3.124,97 milhões FOB de janeiro a maio de 2009 para US$ 3.330,83 milhões FOB no período de janeiro a maio de 2010, registrando um crescimento de 6,6%, as importações evoluíram de US$ 7.921,23 milhões FOB para US$ 8.703,91 milhões FOB, registrando um crescimento de 9,9%", explica Aubert Neto.
Para ele, a entidade nunca se posiciona contra as importações pura e simplesmente, mas sim contra importações que não trazem contribuição na área tecnológica. Por exemplo, a China já aparece em terceiro lugar na origem das importações do setor, enquanto que a India que até há pouco tempo não figurava nas estatísticas, agora aparece em décimo lugar.
NÍVEL DE EMPREGO
A contratação de mão-de-obra também cresceu no mês de maio de 2010 com uma taxa de variação de 4,4% em relação a maio de 2009, passando de 232.200 para 242.331 o número de empregados do setor. Sobre o mês de outubro de 08, mês que antecede a crise na indústria de máquinas e equipamentos, ainda registra-se queda de 3,15%
O nível de utilização da capacidade instalada registrou crescimento de 2,3% na média do período, evoluindo de 80,1% para 81,9%. "Mas - argumenta Aubert - não podemos perder de vista que estamos falando de um turno. Portanto, ainda temos muito espaço para crescimento.
O consumo aparente também registrou índices positivos de crescimento, atingindo a média de 7,8%, passando de R$ 34.497,45 milhões para R$ 37.180,84 milhões, sendo que o melhor desempenho do período em análise (jan-mai). O número de semanas para atendimento da carteira de pedidos cresceu 22,7%, passando de 18,1 semanas de atendimento para 22,2 semanas de atendimento, em média.
EXPORTAÇÕES/IMPORTAÇÕES
Os Estados Unidos embora tenham registrado queda de 11,4% nas compras de máquinas e equipamentos brasileiras, ainda continuam liderando o ranking, registrando valores de US$ 537 milhões em 2010 e também registra liderança no ranking de origem das importações, com participação de 26% no volume total e crescimento de 3,5% no período.
A Alemanha, no entanto, teve um decréscimo na participação de 1,6% pontos percentuais e também queda no volume de vendas de 2,7%, enquanto a China registrou um crescimento no volume de remessas de máquinas e equipamentos para o Brasil da ordem de 50,6%.
Fonte: Revista P&S
30/6/10
quarta-feira, 30 de junho de 2010
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Mapa do crescimento da economia brasileira. Destaque para mineração.
Os dados de investimento da economia brasileira, da expansão do crédito, do aumento da massa salarial e do emprego mostram que não há razões para temer um crescimento acima de 6%. As teorias sobre PIB potencial são mais palpite do que matemática
Em 1996, Alan Greenspan, então presidente do Banco Central americano, cunhou a expressão “exuberância irracional” para definir a fantástica – e artificial – valorização das ações das empresas de tecnologia nos Estados Unidos, antes do estouro da bolha em 1999. Como ele acertou na previsão, a expressão emplacou no fim da década passada.
Desde então, o termo estava em quase desuso. Estava, mas voltou. Na semana passada, depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificar como “exuberante” o crescimento de 9% do PIB brasileiro no primeiro trimestre, o segundo melhor resultado mundial entre as grandes economias depois da China, economistas voltaram a dizer que o País corre o risco de viver um ciclo de crescimento desenfreado, algo semelhante à exuberância irracional de Greenspan. Mas será que essa teoria se aplica para a atual realidade do País?
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Vários indicadores mostram que não. Bem diferente do que ocorreu no mundo com as recentes bolhas geradas pela especulação nos mercados financeiros, o crescimento robusto da economia brasileira tem fundamentos concretos. O aumento da oferta de crédito, que representava 34% do PIB em 2005 e hoje já supera 53%, sustenta o consumo e dá fôlego às empresas.
A taxa de desemprego em 7,2% – menor do que nos Estados Unidos e na maioria das economias europeias e latino-americanas – coloca o País num patamar de destaque no cenário dos maiores consumidores do mundo e, de quebra, inclui 40 milhões de pessoas (o equivalente à população da Argentina) no mercado de consumo. O País já é, por exemplo, o segundo em vendas de computadores e o quarto em veículos, atrás apenas de Estados Unidos, Japão e China.
Por que, afinal, o medo de crescer não faz sentido? Porque o principal argumento para tentar esfriar a economia, o risco de inflação, não tem origem na indústria, mas surgiu no início do ano de fatores sazonais. A disparada dos preços dos alimentos, o aumento das mensalidades escolares e o reajuste das tarifas de transporte público – fatores que não têm nenhuma relação com a produção industrial – foram os responsáveis pela alta dos preços. Não por acaso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem exaustivamente tentado esconder o crescimento do País, como se isso fosse algo nocivo. Mas, evidentemente, não é.
As projeções sobre a capacidade de crescimento da economia brasileira estão longe de ser uma ciência exata. “Esse cálculo é muito mais intuitivo do que matemático”, reconhece o economista João Ildebrando Bocchi, diretor da PUC-SP e autor do livro Desafios para o Brasil – Como Retormar o Crescimento Econômico Nacional.
A julgar pelo retrospecto, os especialistas andam com a intuição descalibrada. Menos de uma década atrás, grandes economistas brasileiros afirmavam que a expansão do PIB não poderia passar de 3%. Passou. Nos últimos três anos, em especial antes da crise, diziam que o teto seria entre 4% e 4,5% para não gerar inflação. Erraram de novo.
Em 2007, o PIB avançou 5,4% sem perder o controle da inflação e, em 2008, subiu 5,1%. Hoje, o PIB potencial roda na casa de 6%, segundo economistas, mas já se prevê uma expansão acima de 7,5%, como projeta o Itaú Unibanco. “A expansão do PIB não é fato isolado porque está forte em todos os setores da economia brasileira”, afirma o economista-chefe do banco, Ilan Goldfajn. “O crescimento no primeiro trimestre no Brasil só não foi melhor que o da China. Imaginar para o País um PIB acima de 7,5% não é nenhum espasmo.”
Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o atual ciclo de expansão do PIB está realmente longe de um espasmo, e tem sido puxado principalmente pela combinação entre aumento da capacidade de produção da indústria e explosão dos investimentos. “O Brasil está dinâmico e preparado para crescer forte”, diz o diretor do Iedi, Júlio Gomes de Almeida.
“Como crescimento no País é algo raro, muitos agora duvidam da nossa capacidade”, completa ele. A taxa de investimento no País está em trajetória crescente. Em 2009, o percentual de investimento em relação ao PIB foi de 16,7%, passou para 19% neste ano e deve chegar a 23% em 2012, segundo projeções do Banco Mundial. Entre 2010 e 2013, estão previstos investimentos da ordem de R$ 1,3 trilhão, de acordo com mapeamento do BNDES. O setor de petróleo e gás será a locomotiva desses investimentos, com R$ 340 bilhões. O setor de infraestrutura vem logo atrás, com R$ 310 bilhões nos próximos três anos.
Com esse vultoso volume de investimento, apesar de certo ceticismo entre economistas em relação ao crescimento do País, muitos investidores internacionais já não duvidam da capacidade de expansão do Brasil. Nos cálculos do Banco Central, os investimentos estrangeiros diretos deverão superar US$ 45 bilhões em 2010, o melhor resultado em 63 anos.
O maior volume até agora, atingido em 2008, antes da crise internacional, foi de US$ 43,9 bilhões. “O potencial de crescimento da economia tem atraído investimentos de toda parte do mundo. E estes são investimentos de médio e longo prazo”, diz o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luís Afonso Lima. “O Brasil pode, sim, crescer muito acima de seu PIB potencial”, garante o presidente da Alstom Brasil, o francês Philippe Delleur.
A afirmação dele se traduz em investimentos. A Alstom tem participado de quase todos os projetos hidrelétricos da região amazônica, além de estar em processo de fabricação de locomotivas para transporte público em várias partes do País. Nos últimos dois anos, a companhia desembolsou R$ 90 milhões para produzir turbinas de hidrelétricas em Rondônia, R$ 50 milhões para geradores eólicos na Bahia e R$ 550 milhões na automatização do metrô paulistano. As razões que inspiram a Alstom a investir no País são as mesmas que motivam a alemã Siemens. Em dez anos, a companhia colocou R$ 1,5 bilhão em setores ligados à infraestrutura no País.
Mesmo fora da órbita dos investimentos industriais, que dispararam 133% no primeiro trimestre de 2010, segundo o Ministério do Desenvolvimento, o discurso de que o Brasil não pode crescer é cheio de contradições. O BC, em ata divulgada após a elevação de 0,75 ponto percentual da taxa básica de juros, diz que há indícios de descompasso entre oferta e demanda.
O mesmo relatório, no entanto, destaca um recuo da inflação a partir do início de abril e enfatiza uma acomodação no ritmo do consumo – o que derruba o argumento utilizado para elevar os juros. No caso da inflação, o próprio BC reduziu de 5,64% para 5,61% a estimativa para o ano. Uma outra informação que derruba a ideia de desequilíbrio entre oferta e demanda é o nível de utilização da capacidade instalada, que está acomodada em 83%, segundo a CNI. “Não há uma trajetória explosiva do aumento do consumo. Pode até subir ou descer, mas vai continuar acomodado”, diz Flávio Castelo Branco, da CNI.
Esse aumento da capacidade está diretamente relacionado aos investimentos. Um exemplo disso é a Companhia Siderurgia do Atlântico (CSA), da ThyssenKrupp, no Rio de Janeiro, que entrou em operação na sexta-feira com investimentos de US$ 8,3 bilhões. A unidade elevou em 40% toda a produção nacional de laminados.
A tese de expansão descontrolada definitivamente não tem espelhado a realidade de diversos setores da economia brasileira. Para ilustrar o descompasso entre as teorias econômicas sobre PIB potencial e o que pode observar na economia real, João Ildebrando Bocchi, diretor da PUC-SP, faz a seguinte comparação: “Quando temos cinco cabeças e quatro chapéus, mandamos produzir mais um chapéu. Aqui no Brasil, a julgar pela decisão do BC de aumentar os juros e o medo de crescer, manda-se cortar uma cabeça.”
Mapa do crescimento da economia brasileira
R$ 549 bilhões para indústria
Petróleo e gás R$ 340 bilhões
Em três anos, a Petrobras investirá US$ 174 bilhões na exploração do pré-sal e no desenvolvimento de biocombustíveis. Fornecedores brasileiros e estrangeiros já se preparam para investir no País.
Mineração R$ 52 bilhões
O apetite da China sustenta os investimentos no aumento da produção de minério de ferro. Só neste ano, a Vale vai investir US$ 12,9 bilhões, o maior valor entre as mineradoras internacionais.
Siderurgia R$ 51 bilhões
A CSA, da ThyssenKrupp, entrou em operação na última semana com investimento de R$ 15,5 bilhões e ampliará em 40% a capacidade nacional de aço laminado, para atender à indústria automobilística.
Química R$ 34 bilhões
A indústria química deve investir até 2014 cerca de US$ 26 bilhões em produtos para uso industrial no Brasil, segundo a Abiquim. Os focos são biocombustíveis, embalagens, medicamentos e cosméticos.
Veículos R$ 32 bilhões
A Volkswagen, Fiat, GM e Ford, as quatro maiores montadoras do País, têm, juntas, R$ 18 bilhões em investimentos para os próximos três anos. O Brasil já é o quarto maior mercado mundial.
Eletroeletrônica R$ 21 bilhões
Puxado pela produção de tevês de LCD e aparelhos de ar-condicionado, o setor de eletrônicos pretende investir R$ 20 bilhões entre 2010 e 2011, principalmente na Zona Franca de Manaus.
Papel e celulose R$ 19 bilhões
A recuperação do preço internacional da celulose motivou as empresas a investir. Neste ano, o País passará de 11º para 7º no ranking dos maiores produtores.
Energia elétrica R$ 98 bilhões
O setor de energia é um dos grandes beneficiados do PAC.Deverá receber mais de 55% dos investimentos totais.
Telecomunicações R$ 67 bilhões
O plano nacional da banda larga deverá receber, numa primeira fase, R$ 20 bilhões em investimento, além dos aportes das companhias em telefonia 3G e ampliação da rede.
R$ 310 bilhões para Infraestrutura
Saneamento R$ 39 bilhões
A segunda etapa do Programa de Aceleração do crescimento prevê investimento de pelo menos R$ 40 bilhões em saneamento básico em todo o País
Ferrovias R$ 56 bilhões
Grandes projetos ferroviários, entre eles a Ferrovia Norte-Sul, para escoar a produção de minérios e grãos do Centro-Oeste via portos nordestinos, colocarão o modal entre os de maior investimento no País nos próximos anos.
Rodovias R$ 36 bilhões
A privatização de rodovias estaduais e federais, em situação precária, faz do setor um dos com maior potencial de atração de investimentos
Portos R$ 15 bilhões
O governo pretende atrair de R$ 15 bilhões a R$ 20 bilhões em investimentos privados nos portos brasileiros
Construção civil
Aumento da oferta de financiamento, programa Minha Casa, Minha Vida e disputa dos bancos por novos clientes continuarão puxando o setor imobiliário
Por: Hugo Cilo
Fonte: ISTOÉ
Fontes: IBGE, BNDES, CNI, Iedi e empresas
Em 1996, Alan Greenspan, então presidente do Banco Central americano, cunhou a expressão “exuberância irracional” para definir a fantástica – e artificial – valorização das ações das empresas de tecnologia nos Estados Unidos, antes do estouro da bolha em 1999. Como ele acertou na previsão, a expressão emplacou no fim da década passada.
Desde então, o termo estava em quase desuso. Estava, mas voltou. Na semana passada, depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificar como “exuberante” o crescimento de 9% do PIB brasileiro no primeiro trimestre, o segundo melhor resultado mundial entre as grandes economias depois da China, economistas voltaram a dizer que o País corre o risco de viver um ciclo de crescimento desenfreado, algo semelhante à exuberância irracional de Greenspan. Mas será que essa teoria se aplica para a atual realidade do País?
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A taxa de desemprego em 7,2% – menor do que nos Estados Unidos e na maioria das economias europeias e latino-americanas – coloca o País num patamar de destaque no cenário dos maiores consumidores do mundo e, de quebra, inclui 40 milhões de pessoas (o equivalente à população da Argentina) no mercado de consumo. O País já é, por exemplo, o segundo em vendas de computadores e o quarto em veículos, atrás apenas de Estados Unidos, Japão e China.
Por que, afinal, o medo de crescer não faz sentido? Porque o principal argumento para tentar esfriar a economia, o risco de inflação, não tem origem na indústria, mas surgiu no início do ano de fatores sazonais. A disparada dos preços dos alimentos, o aumento das mensalidades escolares e o reajuste das tarifas de transporte público – fatores que não têm nenhuma relação com a produção industrial – foram os responsáveis pela alta dos preços. Não por acaso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem exaustivamente tentado esconder o crescimento do País, como se isso fosse algo nocivo. Mas, evidentemente, não é.
As projeções sobre a capacidade de crescimento da economia brasileira estão longe de ser uma ciência exata. “Esse cálculo é muito mais intuitivo do que matemático”, reconhece o economista João Ildebrando Bocchi, diretor da PUC-SP e autor do livro Desafios para o Brasil – Como Retormar o Crescimento Econômico Nacional.
A julgar pelo retrospecto, os especialistas andam com a intuição descalibrada. Menos de uma década atrás, grandes economistas brasileiros afirmavam que a expansão do PIB não poderia passar de 3%. Passou. Nos últimos três anos, em especial antes da crise, diziam que o teto seria entre 4% e 4,5% para não gerar inflação. Erraram de novo.
Em 2007, o PIB avançou 5,4% sem perder o controle da inflação e, em 2008, subiu 5,1%. Hoje, o PIB potencial roda na casa de 6%, segundo economistas, mas já se prevê uma expansão acima de 7,5%, como projeta o Itaú Unibanco. “A expansão do PIB não é fato isolado porque está forte em todos os setores da economia brasileira”, afirma o economista-chefe do banco, Ilan Goldfajn. “O crescimento no primeiro trimestre no Brasil só não foi melhor que o da China. Imaginar para o País um PIB acima de 7,5% não é nenhum espasmo.”
Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o atual ciclo de expansão do PIB está realmente longe de um espasmo, e tem sido puxado principalmente pela combinação entre aumento da capacidade de produção da indústria e explosão dos investimentos. “O Brasil está dinâmico e preparado para crescer forte”, diz o diretor do Iedi, Júlio Gomes de Almeida.
“Como crescimento no País é algo raro, muitos agora duvidam da nossa capacidade”, completa ele. A taxa de investimento no País está em trajetória crescente. Em 2009, o percentual de investimento em relação ao PIB foi de 16,7%, passou para 19% neste ano e deve chegar a 23% em 2012, segundo projeções do Banco Mundial. Entre 2010 e 2013, estão previstos investimentos da ordem de R$ 1,3 trilhão, de acordo com mapeamento do BNDES. O setor de petróleo e gás será a locomotiva desses investimentos, com R$ 340 bilhões. O setor de infraestrutura vem logo atrás, com R$ 310 bilhões nos próximos três anos.
Com esse vultoso volume de investimento, apesar de certo ceticismo entre economistas em relação ao crescimento do País, muitos investidores internacionais já não duvidam da capacidade de expansão do Brasil. Nos cálculos do Banco Central, os investimentos estrangeiros diretos deverão superar US$ 45 bilhões em 2010, o melhor resultado em 63 anos.
O maior volume até agora, atingido em 2008, antes da crise internacional, foi de US$ 43,9 bilhões. “O potencial de crescimento da economia tem atraído investimentos de toda parte do mundo. E estes são investimentos de médio e longo prazo”, diz o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luís Afonso Lima. “O Brasil pode, sim, crescer muito acima de seu PIB potencial”, garante o presidente da Alstom Brasil, o francês Philippe Delleur.
A afirmação dele se traduz em investimentos. A Alstom tem participado de quase todos os projetos hidrelétricos da região amazônica, além de estar em processo de fabricação de locomotivas para transporte público em várias partes do País. Nos últimos dois anos, a companhia desembolsou R$ 90 milhões para produzir turbinas de hidrelétricas em Rondônia, R$ 50 milhões para geradores eólicos na Bahia e R$ 550 milhões na automatização do metrô paulistano. As razões que inspiram a Alstom a investir no País são as mesmas que motivam a alemã Siemens. Em dez anos, a companhia colocou R$ 1,5 bilhão em setores ligados à infraestrutura no País.
Mesmo fora da órbita dos investimentos industriais, que dispararam 133% no primeiro trimestre de 2010, segundo o Ministério do Desenvolvimento, o discurso de que o Brasil não pode crescer é cheio de contradições. O BC, em ata divulgada após a elevação de 0,75 ponto percentual da taxa básica de juros, diz que há indícios de descompasso entre oferta e demanda.
O mesmo relatório, no entanto, destaca um recuo da inflação a partir do início de abril e enfatiza uma acomodação no ritmo do consumo – o que derruba o argumento utilizado para elevar os juros. No caso da inflação, o próprio BC reduziu de 5,64% para 5,61% a estimativa para o ano. Uma outra informação que derruba a ideia de desequilíbrio entre oferta e demanda é o nível de utilização da capacidade instalada, que está acomodada em 83%, segundo a CNI. “Não há uma trajetória explosiva do aumento do consumo. Pode até subir ou descer, mas vai continuar acomodado”, diz Flávio Castelo Branco, da CNI.
Esse aumento da capacidade está diretamente relacionado aos investimentos. Um exemplo disso é a Companhia Siderurgia do Atlântico (CSA), da ThyssenKrupp, no Rio de Janeiro, que entrou em operação na sexta-feira com investimentos de US$ 8,3 bilhões. A unidade elevou em 40% toda a produção nacional de laminados.
A tese de expansão descontrolada definitivamente não tem espelhado a realidade de diversos setores da economia brasileira. Para ilustrar o descompasso entre as teorias econômicas sobre PIB potencial e o que pode observar na economia real, João Ildebrando Bocchi, diretor da PUC-SP, faz a seguinte comparação: “Quando temos cinco cabeças e quatro chapéus, mandamos produzir mais um chapéu. Aqui no Brasil, a julgar pela decisão do BC de aumentar os juros e o medo de crescer, manda-se cortar uma cabeça.”
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Por: Hugo Cilo
Fonte: ISTOÉ
Fontes: IBGE, BNDES, CNI, Iedi e empresas
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