Pesquisa revela que rede de Zuckerberg tem mais apelo entre mulheres
conectadas nos Estados Unidos, enquanto o Twitter tem maior adesão de
usuários masculinos
O Facebook é a rede social com maior número de usuários entre os
norte-americanos conectados a internet. O total é quatro vezes maior que
a quantidade de perfis do Twitter, do Pinterest e do Instagram e dez
vezes maior que o número de usuários do Tumblr. Os dados foram
divulgados nesta quinta-feira, 14, pelo Pew Research Center’s Internet
& American Life Project.
De acordo com a pesquisa, 67% dos
usuários de internet no País fazem uso também de alguma rede social. É a
mesma porcentagem dos usuários do Facebook, que lidera. Na sequência
estão o Twitter (16%), o Pinterest (15%), o Instagram (13%) e o Tumblr
(6%). A pesquisa também identificou diferenças demográficas entre os
usuários de cada uma das redes sociais. Enquanto o Facebook é mais
utilizado por mulheres e predominância entre pessoas com renda familiar
de até US$ 30 mil ao ano, o Twitter tem mais apelo entre homens e maior
penetração nos domicílios com renda média de US$ 75 mil/ano.
A
diferença de gêneros mais evidente entre todas as redes sociais se
percebe entre os usuários do Pinterest. Do total de mulheres conectadas,
25% afirma utilizar a rede social. Entre os homens, esse valor desce a
5%. O Instagram tem apelo entre jovens de 18 a 29 anos, urbanos, e com
maior predominância feminina e o Tumblr tem a mesma penetração entre
usuários do sexo masculino ou feminino.
A pesquisa foi feita
pelo instituto Princeton Survey Research Associates International para o
Pew, entrevistou 2261 usuários de internet norte-americanos maiores de
18 anos nos meses de novembro e dezembro de 2012.
Músico trabalhou em segredo e surpreendeu o mercado ao anunciar novo disco de forma discreta
Estadão PME
Divulgação
Empresário pode aprender com lançamento do artista
Fazer uma mudança radical mesmo quando a estratégia escolhida
mostra-se acertada. A manobra é arriscada. Nem mesmo multinacionais com
musculatura reforçada pagam para ver o impacto de uma ação de grande
porte sem antes assegurar, com uma infinidade de pesquisas, de que o
resultado será positivo e rentável. A máxima é tão engessada que a
simples quebra do ciclo de garantias e certezas provoca inquietação
coletiva. Principalmente se a ousadia for protagonizada por um astro da
música como David Bowie, e não por uma instituição corporativa como a
Microsoft ou a Coca-Cola.
Na manhã do dia 8 de janeiro o mundo foi surpreendido por Bowie
com o lançamento do single The Next Day, o primeiro depois de uma década
de reclusão — e, por parte dos fãs, a presumida aposentadoria de David.
Em seguida, o anúncio de que um novo disco estava pronto e previsto
para ser lançado em março. Um espanto mundial, levando-se em
consideração que durante dois anos o músico trabalhou em um novo produto
sem que qualquer informação sobre o disco vazasse na imprensa. Tudo
isso em plena era dos smartphones potentes, do compartilhamento em redes
sociais e de um mercado musical que agoniza por salvação desde a
popularização da internet.
Operação sigilosa
Estrategista bem sucedido em outras fases da carreira, David
Bowie demonstra em seu ressurgimento, mais uma vez, a capacidade de
lidar com o que grandes potências corporativas ainda não conseguiram.
Suas atitudes colocam em cheque os manuais de administração e marketing.
E, ao fazer isso de forma peculiar, ele comprova todo seu potencial
empreendedor. "Nós nunca vimos isso antes. Uma verdadeira lenda soltando o
anúncio, a música, as fotos, tudo em um piscar de olhos", disse Tim
Ingham, editor da revista Music Week em entrevista ao The Guardian. "A
falta de informações aumentou o impacto. Tratando-se de um 'produto'
como esse, com o peso que o nome dele tem para a música, ele (Bowie)
voltou como uma tempestade na mídia de forma que nenhum outro artista
conseguiu nos últimos anos", avalia.
A forma discreta como lidou com a produção do novo trabalho e
manteve o seu regresso em segredo é resultado de experiências
anteriores. Como um bom administrador, o artista dividiu a informação
com poucas pessoas. O produtor Tony Visconti, alguns músicos, seu
gerente de negócios, Bill Zysblat, e Corrine Schwab, assistente e leal
amiga. Nem mesmo sua gravadora, a Sony Music, estava sabendo do
projeto. Rob Stringer, presidente de um dos braços da companhia - e uma
das pessoas mais poderosas da indústria fonográfica mundial - só tomou
conhecimento do que estava sendo feito pouco antes do lançamento do
single, quando foi convidado pelo artista a ir até o estúdio onde as
gravações estavam sendo realizadas. "Ele tem o respaldo que grandes nomes da música têm. Às
vezes, alguns artistas ficam anos trabalhando em um disco. O Guns n
Roses fez isso com o álbum Chinese Democracy. A gravadora (Universal)
não pressionava porque sabia que quando eles entregassem o disco seria
bom. Com o Bowie acontece o mesmo", comenta o produtor musical e também
empresário Rick Bonadio, dono do estúdio Midas.
Ao convencer a equipe a manter sigilo por quase dois anos, Bowie
promoveu a união do grupo e o alinhamento dos propósito. Além, claro,
de estar cercado de profissionais qualificados que o ajudaram a manter o
projeto em segredo.
Menos é mais
O artista não fez estardalhaço, não gastou fortunas com a
divulgação do trabalho e ainda assim conseguiu provocar um estrondo na
imprensa especializada ao lançar a música no dia do seu aniversário, 08
de janeiro. O single virou assunto e Bowie, novamente, voltou a estampar
jornais, sites e revistas do mundo inteiro. A tática de pouco barulho
usada pelo astro surpreendeu até a gravadora. Quando questionado sobre
como seria o trabalho de relações públicas para anunciar o seu retorno,
diz o Guardian, Bowie teria dito a Stringer que não haveria. "Nós vamos
liberar a música no dia 8 e é isso é tudo". Para analistas de marketing, a abordagem descontraída e
simples teve um efeito positivo e o músico demonstrou sabedoria ao usar a
fama. "Quantas vezes ao longo dos últimos 10 anos você viu fotos dele?
Ele deve ter sido fotografado por paparazzis três ou quatro vezes no
máximo. E ele não é um recluso. Ele apenas é visto quando quer ser
visto", disse uma fonte próxima ao cantor à versão americana da revista
Rolling Stone.
Marketing à sua maneira
Lançamentos surpresa são democráticos. Todos ouvem ao mesmo
tempo e ninguém é beneficiado pela antecedência. "A maneira como você
vende a sua marca é tão importante quanto o que você diz sobre isso",
avaliou ao The Guardian Rachel Miller, especialista em marketing. Além disso, David Bowie não esqueceu o principal: seus
"clientes". Ao usar o seu site para divulgar informações sobre o
lançamento e não as redes sociais, plataforma escolhida por empresas e a
maioria das personalidades públicas, Bowie conseguiu um impacto maior
junto aos fãs. "Quando uma marca está constantemente atuando nas mídias
sociais tudo o que ela diz ganha o mesmo peso e mensagens importantes
podem ser ignoradas", explicou Rachel. Ao mesmo tempo em que correu por fora da curva, o artista não
ignorou as inovações tecnológicas. Pelo contrário. Em pouco tempo,
anunciou o lançamento de um aplicativo onde os fãs poderão recriar a
arte da capa de seu novo disco, The Next Day, utilizando fotos pessoais
que postam no Facebook.
Não é possível dizer que a abordagem tranquila de David Bowie
vai interferir positivamente nas vendas do disco que será lançado em
breve. É impossível, também, avaliar se essa era a sua real intenção.
Para fãs devotos, não trata-se de uma ação interesseira com foco em
dinheiro. Para eles, é apenas mais uma das facetas do artista.