quarta-feira, 2 de março de 2011

Quando vale a pena oferecer cursos dentro da empresa

Trazer a escola para dentro do escritório é uma solução para quem precisa desenvolver competências específicas na equipe ou mesmo elevar o nível educacional geral dos funcionários

Por Marina Vidigal - Pequenas Empresas Grandes Negócios

Na GGD Metals, o pagamento de comissões cresceu 25% depois que os vendedores foram treinados internamenteNinguém sai da escola pronto para vender aço. A distribuidora GGD Metals, de São Paulo, constatou esse fato e resolveu criar um curso para formar seus profissionais. A Universidade de Vendas de Aço foi inaugurada em 2009 e já capacitou cerca de 70 pessoas. “Uma venda benfeita minimiza o risco de perdas”, diz Gisele Irikura, gerente de recursos humanos da empresa e responsável pela coordenação do curso. “Um vendedor mais bem preparado consegue agir como consultor.” Os resultados não tardaram a aparecer: o pagamento de comissões sobre vendas cresceu 25% desde que a equipe comercial passou pelo treinamento.

Iniciativas como a da GGD se repetem em empresas dos mais diversos portes e setores. Em comum, atendem à necessidade de criar competências específicas, como no caso da distribuidora de metais, ou simplesmente de elevar o nível educacional geral dos funcionários. A varejista Multicoisas, sediada em Campo Grande (MS), exige que seus novos franqueados e suas equipes frequentem as aulas da Universidade Multicoisas por um mês. Além disso, os principiantes em suas franquias precisam fazer uma imersão de 15 dias na loja piloto da rede antes de serem considerados aptos a tocar suas próprias unidades. A empresa criou o curso há 17 anos e já treinou cerca de quatro mil pessoas.

Há quem invista também na instrução dos clientes. Na Sankhya, desenvolvedora de softwares de gestão empresarial de Uberlândia (MG), a certificação dos usuários de seus sistemas é requisito obrigatório. A Universidade Corporativa Sankhya, inaugurada em 2006, conta inclusive com cursos a distância. “No passado, era comum usuários responsabilizarem o sistema por falhas que eles cometiam”, diz Felipe Calixto, presidente da Sankhya. “Isso deixou de acontecer.” Desde então, a percepção da clientela sobre a qualidade dos produtos da empresa melhorou, o que ajudou a gerar novos negócios.

Micro e pequenas empresas geram 80% das vagas em janeiro

A maior parte dos empregos criados (69,6%) foi gerada por empreendimentos que empregam até quatro trabalhadores

Da Agência Sebrae de Notícias

As micro e pequenas empresas foram responsáveis por 79,8% das vagas de trabalho com carteira assinada criadas no Brasil em janeiro deste ano, segundo levantamento feito pelo Sebrae com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Das 152.091 vagas criadas no início do ano, 121.368 foram geradas por negócios com no máximo 99 funcionários.

A maior parte das vagas criadas em janeiro (69,6%) foi gerada por empreendimentos que empregam até quatro trabalhadores, seguidos por aqueles que empregam entre 20 e 99 funcionários, que participaram com 7,9% do saldo total. As empresas que empregam entre cinco e 19 trabalhadores foram responsáveis por contratações líquidas da ordem de 2,3%. Serviços, comércio e indústria de transformação foram os setores com maior destaque na criação de postos de trabalho.

“As micro e pequenas empresas são as grandes geradoras de emprego e renda no Brasil e cada vez mais se firmam como propulsoras de desenvolvimento. A estabilidade econômica que o país vive hoje, somada às oportunidades dos próximos anos por conta dos grandes eventos, farão com que esses números sejam cada vez melhores”, avalia o presidente do Sebrae, Luiz Barretto.

Setor de serviços lidera criação de vagas

Os setores que mais contribuíram para a geração de empregos em janeiro foram os serviços, a indústria de transformação e a construção civil, nesta ordem, sendo que os serviços e a indústria extrativa mineral registraram recordes para o período.

O resultado favorável do setor de serviços, com a criação de 73.231 postos, foi recorde devido à elevação em cinco dos seis ramos que o integram, com saldos recordes em quatro deles. O bom desempenho da indústria de transformação no mês, com a criação de 53.207, pode ser atribuído à elevação quase generalizada do emprego nos 12 ramos, com um deles registrando saldo recorde. Em termos absolutos, os destaques foram a indústria mecânica e a de calçados.

A agricultura também obteve um bom desempenho, ao apontar um aumento de 8.324 postos, resultado bem superior ao observado em janeiro de 2010 (4.143 empregos). Os únicos setores que apresentaram queda no emprego foram o comércio e a administração pública, devido a fatores sazonais.

Dos 26 estados e no Distrito Federal, 21 expandiram o nível de emprego, com cinco assinalando recorde na criação de postos. Em termos absolutos, o estado do São Paulo liderou a geração de empregos, seguido por Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O emprego formal do conjunto das nove principais regiões metropolitanas apresentou resultado de 48.510 novos postos de trabalho no mês, resultado inferior ao verificado para o interior desses aglomerados urbanos.