quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Net-working ou Not-working? Eis a questão!

Durante a história da humanidade, conquistas, descobertas, guerras e paixões foram tecidas por meio dos fios do relacionamento humano. 
Por: Martha Gabriel
"É impossível ser feliz sozinho" - essas sábias palavras de Tom Jobim em "Wave", retratam uma das maiores verdades da vida: precisamos uns dos outros, tanto na vida pessoal quanto na vida profissional. A felicidade e o sucesso vêm das relações humanas, das conexões, que fazem com que a vida e os negócios fluam e floresçam. Diz o ditado "Quem tem um amigo tem o maior tesouro". Durante a história da humanidade, conquistas, descobertas, guerras e paixões foram tecidas por meio dos fios do relacionamento humano. Assim, a nossa natureza está sempre em busca dos contatos corretos para nossos empreendimentos - seja para constituir família, ou para alavancar negócios.

Networking de negócios é uma atividade socioeconômica em que grupos de pessoas com objetivos similares se reconhecem, criam ou agem em oportunidades de negócios. Portanto, a meta de fazer networking é criar uma rede social com interesses de negócios.

Apesar de networking não ser uma prática nova ou moderna, vivemos hoje uma era com possibilidades gigantescas de conexão, sem precedentes na história. Por outro lado, a proximidade digital entre as pessoas causa um falso senso de intimidade que, por muitas vezes, pode causar problemas ao invés de alavancar relacionamentos. Se bem utilizado, o networking na era digital é poderosíssimo para potencializar relacionamentos, mas se mal aplicado, tem o efeito contrário - afasta ao invés de atrair. A proliferação de plataformas de redes sociais combinadas com a facilidade de se encontrar pessoas no ambiente online, faz com que literalmente todos estejam ao nosso alcance para conectar. No entanto, ter uma pessoa a um clique de distância, não significa que você possa, ou deva, conversar com ela como se fossem amigos. Se você encontrar uma personalidade na rua ou em um evento, o fato de ela estar a um passo de distância, não significa que ela se tornou sua amiga. Você continua precisando iniciar o relacionamento devagar, passo a passo, de forma gradativa e aprofundando o relacionamento. Para qualquer relacionamento florescer é preciso encontrar um ponto de contato, algum interesse em comum e a forma certa de aproximação e desenvolvimento. O bom senso, a educação e a ética são a base e a essência de qualquer ação que envolva relacionamento humano. Por mais que tecnologia catalise as possibilidades de conexão, a arte do relacionamento continua dependendo das nossas habilidades humanas e não tecnológicas.

Dessa forma, fazendo uma reflexão sobre o networking na era digital, seguem algumas considerações:
1. Equilíbrio - Networking é bom, mas se você só faz isso, não tem tempo para mais nada, principalmente produzir e ter conteúdo para manter qualquer relacionamento de negócios.
2. Interesse Comum - É preciso ter objetivo e conteúdo antes de fazer networking. Se você não tiver algum interesse em comum com a outra pessoa, o relacionamento tende a morrer ao invés de florescer.
3. Quantidade vs Interatividade - Networking não é ter milhares de contatos nas redes sociais - é interagir com eles, estar presente em algum grau e de forma interessante na vida do outro. (nada adiantar marcar um café sem ter o que falar. Na hora certa, a conexão aparece (case Palestrarte)
4. A pessoa mais importante no networking é o OUTRO - Networking não é só falar e focar em você - networking é principalmente ouvir para CONECTAR. O vídeo a seguir ilustra isso:

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=XuM0KtW73WU

5. Networking não é só online, é presencial também - Mostre a sua cara. Um abraço ainda não tem equivalente digital. O encontro pessoal é ESPECIAL - valorize isso. Presença online é importante, mas nada substitui um abraço pessoal.
6. Networking é respeitar o TIMING e os LIMITES de interesse do outro - Não adianta insistir quando o outro não está interessado no relacionamento. Se existir interesse mútuo, em algum grau, a proximidade cresce naturalmente.
7. Valorize o seu tempo - As estratégias de marketing de relacionamento focam na otimização do Life Time Value do consumidor/cliente, ou seja, investe-se mais em prospects e clientes que têm maiores possibilidades de dar lucro à empresa. O mesmo critério pode ser aplicado em networking de negócios: invista mais tempo nos contatos e relacionamentos com maiores possibilidades de negócios. Tempo é um recurso inelástico.
8. NUNCA peça recomendações a quem nunca trabalhou com você ou para quem te conheça pouco - Se você realmente admira e respeita alguém com quem trabalhou e gostaria que essa pessoa te recomendasse, recomende-a primeiro. Ela vai lembrar de você e isso é o suficiente para ela te recomendar, se ela QUISER.
9. Networking deve ser estratégico e não ao acaso - Networking não é fazer apenas conexões sociais, mas também planejar conexões propositais com pessoas que possam enriquecer a sua visão de mundo. As conexões sociais focam na busca do que gostamos, que nos reforça. As conexões propositais com pessoas de outras tribos, outros hábitos e habitats, fora do escopo do nosso negócios, abrem portas para novas ideias.
10. Cada pessoa é única, portanto customize o contato, não padronize - Não use texto padrão do LinkedIn para conectar com quem te conhece pouco. Se você usar um texto personalizado, a chance da pessoa se lembrar de você e te aceitar, é bem maior. Para pessoas que realmente te conhecem bem, o texto padrão é suficiente, apesar de um texto personalizado ser sempre mais simpático.
11. Cuide do seu conteúdo online: sua imagem, reputação, etc. - a melhor ferramenta de networking hoje, é isso: ter conteúdo bom e encontrável sobre você online! Hoje são feitas 1 bilhão de buscas por nomes todos os dias. Todo mundo tem acesso às suas informações, se elas existirem. Se você tem uma fraca (ou inexistente) presença online, ou pior, se você tiver uma presença online ruim, isso prejudica qualquer tentativa de relacionamento de negócios. Você será julgado pelo seu conteúdo online. Assim, a melhor maneira de encontrar quem interessa para fazer networking, é ser encontrado por eles ;-)

Essas são apenas algumas reflexões sobre Networking de negócios, e seria impossível abordar todos os aspectos e derivações dessa arte de relacionamento em um texto. No entanto, lembrando que networking é "net" (rede) + "working" (trabalho), todas as regras e recomendações resumem-se às estratégias de relacionamento (bom senso, ética, educação) associadas a estratégias de negócios (foco e objetivo) - essas habilidades são essenciais, independente das tecnologias e variações dos ambientes de conexão.

FONTE: Cidade Marketing

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Algemas de ouro

Por: Marcos Hashimoto

Luis Carlos é um grande amigo que conheci há 10 anos quando trabalhamos juntos em um grande banco. Extremamente competente, ele sempre foi para mim um modelo a ser seguido. Cheio de energia e idéias, era o profissional que fazia a diferença em qualquer lugar onde trabalhasse. Implementou vários produtos novos, foi responsável por grandes projetos estratégicos, sabia se cercar de talentos sempre motivados, conseguia conciliar sua vida pessoal com a profissional com maestria invejável, tinha foco e concentrava esforços no que era importante, tinha visão de futuro e investia hoje para colher amanhã. Tinha tanta auto confiança que sabia os momentos certos em que podia se expor e brigar com quem tivesse que brigar. Suas opiniões eram sempre respeitadas e acatadas. Sua capacidade de perceber o ambiente e identificar oportunidades era inigualável. Da mesma forma, nunca vi ninguém com melhor capacidade de comunicação e de influenciar pessoas.

Acompanhei sua carreira desde que nos conhecemos. Após muitas conquistas, ele se orgulha de ter chegado ao topo de sua carreira: diretor de tecnologia de uma multinacional francesa. Sua vida era boa, tranqüila, constituiu uma bela família e vive confortavelmente em um bairro nobre de São Paulo. Há três meses fui à sua casa para um jantar com nossas famílias e ele aproveitou para me confidenciar um dilema que estava vivenciando.

Uma empresa de tecnologia de sistemas americana o havia procurado havia poucas semanas oferecendo-lhe a seguinte proposta: Abrir a primeira subsidiária da empresa no Brasil, com total independência para prospectar mercado, contratar pessoas, estabelecer parcerias, estruturar serviços, definir estratégias, enfim, montar todo o negócio do zero. Eles lhe disponibilizariam o software, suporte técnico e treinamento e todo o material para divulgação. ‘No começo fiquei muito entusiasmado' disse ele, ‘até que ouvi o lado negativo da história'.

Ele não teria salário, sua remuneração viria dos resultados que obtivesse. Ele também teria que levantar a maior parte do capital necessário para instalar o negócio. Acima de tudo, ele assumiria toda a responsabilidade sobre o empreendimento, fosse um sucesso ou um fracasso. ‘Não sei se estou pronto para abandonar tudo o que tenho por uma aventura destas, mas a oportunidade é fantástica, porque eu conheço o produto dele, é muito bom e acredito realmente que seria um grande sucesso, pois eu conheço muito bem este mercado', ponderou.

Seu dilema é igual ao de muitos executivos do mercado. Luis sempre sonhou em abrir seu próprio negócio, mas nunca surgiu a oportunidade. No início de sua carreira entrou em uma grande empresa só para adquirir o aprendizado necessário e juntar capital para perseguir seu sonho. Junto com este aprendizado, veio também o reconhecimento e as oportunidades de carreira. Junto com as perspectivas de crescimento, os salários crescentes, os benefícios cada vez melhores, a reputação construída dentro da empresa e no mercado, a admiração de equipes e colegas, o bônus altamente atrativo no final do ano, o poder adquirido com a ascensão na pirâmide hierárquica, uma sala privativa, título de clube exclusivo, uma secretária e equipe de 20 profissionais de alto nível à sua disposição, carro da empresa, despesas pagas, plano de previdência privada, etc. No âmbito familiar, o conforto e o bem estar proporcionado para esposa e filhas, incluindo aí boas escolas, viagens internacionais todos os anos, presentes caros, fins de semana tranqüilos no clube, vida social ativa e de alta qualidade e uma imagem de vencedor invejada e admirada por parentes e amigos. E o seu sonho do negócio próprio vai ficando distante, pequeno e insignificante diante do rumo que sua carreira tomou.

Aí então a oportunidade que ele tanto esperava surge de uma forma irrecusável. Por mais atrativa que seja uma proposta como esta, a incerteza e o risco piscam luzes vermelhas de alerta em sua cabeça com uma relevância que certamente não existiria se ele ainda fosse um analista de sistemas. Mas se ele fosse ainda um analista de sistemas uma proposta como esta seguramente não cairia no seu colo.  O que você faria no lugar de Luis? Até que ponto você estaria abrindo mão de seus sonhos pelo canto da sereia do mundo corporativo? Em que momento nos deixamos corromper por estas ‘algemas de ouro' que nos prendem às conquistas obtidas e nos impedem de dar novos saltos em sua vida profissional?

Estaria ele disposto a resgatar seu sonho, não deixar passar esta oportunidade, e enfrentar as dificuldades inerentes ao empreendedor? Estaria ele pronto para se defender de todos que o criticarão, principalmente sua própria família que mais sofrerá com esta decisão? Outra coisa, ele sabe que tem uma excelente formação como executivo, mas ele não tem certeza se esta formação é suficiente para ser um empreendedor. Ele tem plena consciência que outras habilidades serão necessárias para conduzir um novo negócio, mas ele nunca investiu no desenvolvimento destas competências.  Como especialista em empreendedorismo eu não podia deixar de mostrar as vantagens de enfrentar o risco, principalmente para o desenvolvimento pessoal, mas também fui obrigado a reconhecer a força das algemas de ouro. No entanto, de tudo o que falei, uma coisa lhe chamou a atenção quando lhe perguntei: ‘Se você partir para esta aventura e não der certo, até que ponto este "fracasso" mancharia seu currículo?'

Sua primeira e instintiva resposta foi acreditar que jamais haveria espaço no mundo corporativo para ele, pois existiria preconceito contra ex-executivos que se tornam empreendedores fracassados e tentam voltar para as grandes empresas. Eu disse a ele que boas empresas já quebraram este paradigma, principalmente depois que elas descobriram, no início da década, o valor dos executivos que abandonaram seus empregos para entrar no mundo da internet e foram apanhados pelo estouro da ‘bolha' da especulação. Alguns destes executivos voltaram para seus empregos originais com uma bagagem e experiência para novos negócios que dificilmente adquiririam em seus empregos. Muitas empresas estão percebendo o valor do aprendizado adquirido ‘lá fora'.

Luis me escutou. Tomou a decisão de se arriscar diante da possibilidade de aprendizado e enriquecimento pessoal. Fiquei contente por ele. Algum tempo depois, voltei a encontrá-lo e quando perguntei como ia o novo empreendimento fiquei surpreso com sua resposta. Ele mudou de idéia e continuou no seu emprego. ‘Por quê?' perguntei surpreso. Sua resposta foi lacônica, em um tom de voz que me antecipou tudo: ‘Perguntei à minha família o que eles achavam e você já sabe como foi a reação!'.

FONTE: Cidade Marketing